Mudança de casa e novos planos!

Continuando com a série de posts para contar sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos… Como não estou numerando os posts, segue a ordem da saga:

1) Lá e de volta outra vez
2) Mudanças… como tudo começou!

Bem, no post número 2 que coloquei acima, falei sobre os planos que tinha após voltar da viagem ao Peru. Voltando ao trabalho, comecei a pensar na possibilidade de mudar de casa, mas como tinha gasto na viagem e estava fazendo o tratamento do Sheik Tosado, isso não ocorreu em 2008. Mas, mesmo sabendo que não seria possível mudar antes do fim do ano, fiquei procurando, comparando preços, olhando prováveis lugares para morar e também visitei alguns apartamentos.

Enquanto morei na pensão, era o esquema segunda a sexta e nos finais de semana não ficava lá. Era um acordo que eu tinha com a dona da casa e o preço era até mais barato. Porém, após as férias, comecei a atuar no plantão, e precisava ficar em São Paulo nos finais de semana… caso ocorresse alguma coisa, tinha que ir até o datacenter, e estando em Itaquá, num fim de semana, eu levaria umas 2h30 para chegar até o local e atender um chamado. A parte legal dessa época, é que contei com a ajuda de pessoas maravilhosas que abriram as portas da casa delas para eu ficar em São Paulo enquanto estava de plantão.

E 2009 chegou… durante o mês de Janeiro, visitei vários apartamentos para alugar, gostei de um e preparei a papelada. O apê estava bem conservado, era em andar alto e local era um sonho: próximo ao metrô Vergueiro, Parque da Aclimação e Avenida Paulista. E isso sem falar que minha amiga morava nada mais nada menos do que na mesma rua, no outro quarteirão. Mas, como as coisas as vezes não são fáceis, quando liguei para marcar a visita na imobiliária para levar a documentação, a recepecionista disse que já estavam analisando a documentação que outro interessado já havia levado. Fiquei meio chateada, mas Ok, ao menos eu já tinha os documentos… se aparecesse outro lugar, não iria levar tanto tempo.

No fim de Janeiro, durante o fim de semana, estava olhando alguns anúncios de apartamentos e me deparei novamente com o anúncio do apartamento que eu tinha gostado. Liguei na segunda-feira, meio sem esperança e a recepecionista me disse que o apê ainda estava para alugar e que eu podia levar a documentação. Enfim, burocracias a parte, no Carnaval de 2009, mudei para um apê e eu só tinha a cama e uma mesa dobrável com 4 bancos – mas já era um começo!

E desse começo, muitas coisas boas aconteceram!

Uma experiência incrível, por exemplo, foi ter conhecido a Dona Ella (nome fictício). Havia acabado de me mudar, não conhecia ninguém no prédio e um dia a vizinha bateu na minha porta para oferecer bolo, lanche, café e uma ajuda em qualquer coisa que eu precisasse: matar uma barata, emprestar um açúcar, um chá, remédio para dor de barriga. Agradeci a comida e a oferta, dando muita risada sobre os itens que ela havia mencionado (o matar barata foi sensacional!!!).

Desde então, quando havia oportunidade ela sempre me chamava para tomar um café e jogar conversa fora. Num mundo onde as pessoas (inclusive eu!) estão sempre olhando para os celulares, quando penso nessa senhora, só me vem a cabeça uma palavra: generosidade. Ela foi generosa em bater na porta de uma desconhecida, em dividir sua história de vida, em ser solidária quando me viu triste e mesmo sem contar o que havia acontecido, me deu a maior força e principalmente por me mostrar que os bons ainda são a maioria.

Infelizmente, Dona Ella nos deixou em Junho de 2014, mas sua energia e disposição, mesmo quando ficou doente, sempre estarão em minha memória. E por ter sido uma pessoa tão especial, não podia deixar de falar dela nesse post!

Continuando no ano de 2009, retomei as aulas de Inglês, comprei mobília para o apartamento, trabalhei bastante e, quando vi, era novamente hora de tirar férias! Devido a mudança de casa, compra de mobília, investimento no curso de Inglês e outras coisas, resolvi que ia fazer uma viagem mais barata e aproveitei pra levar minha irmã mais nova comigo. O destino escolhido foi Caraguatatuba e aproveitamos a emenda da feriado de Novembro para ficar 4 dias por lá.

Foram só 4 dias, mas foram dias com sol e chuva muito bem aproveitados! Ficamos em uma pousada na divisa de Caragua com Ubachuva, ops, Ubatuba e fizemos alguns passeios legais. Fomos até o Aquario de Ubatuba, conhecemos o Projeto Tamar, andamos em várias praias… alugamos aquelas bicicletas divertidas para duas pessoas e, como somos paulistas paulistanas (isso mesmo!), fomos ao shopping porque estava chovendo horrores 🙂 .

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Olha a gente na bicicleta!

A viagem foi super legal, minha irmã é super parceira… topa várias loucuras (coitada, ela fala que só de pensar em viajar comigo, as pernas dela doem, mas todas as vezes que chamo, se ela pode ir, topa hahaha).

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Basicamente a viagem inteira aí!

Enfim, voltei pra casa renovada e trouxe na mala novas ideias… como meu curso de Inglês estava terminando, decidi que era hora de investir no sonho da pós… e em Novembro/2009, comecei a procurar pós graduação para o ano de 2010, mas isso para estudar no Brasil, porque ainda não era a hora de ir estudar fora (faltava dinheiro, tempo e oportunidade).

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Formatura do curso de Inglês

Assim, para estudar no Brasil mesmo, fiz várias pesquisas, olhei preços, cursos, possibilidade de bolsa de estudos e de mudanças se fosse necessário. Inicialmente, me candidatei em 3 Universidades (Uninove, IBTA e Unicsul) e passei por análise de currículo, entrevista e redação. Acabei optando pelo IBTA, unidade de Campinas, onde os cursos ocorreriam aos sabados e não sei onde estava com a cabeça quando fiz isso, porque iria viajar todo fim de semana, a unidade era longe da rodoviaria, precisaria pegar um outro ônibus para chegar lá… logística totalmente inadequada.

Mas aí, olha como são as coisas… logo depois que me matriculei no IBTA, achei um site dizendo que o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) estava oferecendo cursos de pós graduação em São Paulo pela Stefanini. Quase morri quando vi essa notícia… quando mais nova, eu quis estudar no ITA, mas por motivos adversos, isso não aconteceu. E estava lá, uma possível oportunidade de estudar no ITA! Mas quando olhei o preço do curso, desanimei… não podia pagar. Conversando com minha amiga Camila, ela disse “não custa nada você se candidatar, você não vai pagar por isso e o não, você já tem”. Isso já era início de Janeiro/2010 e estavam fazendo entrevistas para o curso que iria iniciar em Março.

E aí, fico pensando… como é bom ter pessoas que te motivam por perto! Você está lá, pensando na loucura e tem gente tão ou mais louca que acredita em você e fala “vai lá, tenta!!!”.

Pensando que não tinha mesmo nada a perder, só se não tentasse (de qualquer forma, já estava com a matrícula garantida no IBTA) me candidatei para a pós no ITA. Passei duas semanas aguardando a resposta da análise do currículo e do histórico da graduação… belo dia, chego em casa, tem lá, um email me convidando para uma entrevista e redação. Aceitei a data proposta para a entrevista pensando “bora acabar logo com esse tormento”.

No dia, primeiro fiz a redação, e depois, entrevista, que durou uma hora, com perguntas que me fizeram pensar que eu estava candidatando a uma vaga de emprego :). Mais duas semanas esperando e recebi o resultado: eu havia sido selecionada e pediram para marcar um horário para ir conversar sobre a matrícula. Estranhei, uma vez que tinha entendido que o processo da matrícula sera basicamente online, mas marquei o horário e fui lá conversar sobre a matrícula.

Chegando lá… surpresa, surpresa… além de ter sido aceita no curso, também tinha sido selecionada para participar do processo para uma bolsa de estudos. Para encurtar a história, preenchi os formulários, enviei os documentos, mais uma entrevista e consegui a bolsa de estudos. E em Março de 2010, comecei a realizar o sonho de estudar no ITA :).

Claro que essa nova fase trouxe novos desafios e novas possibilidades… mas como estou tentando condensar os assuntos “um por ano”, isso será assunto para o próximo post!

Até lá! 🙂 .

Mudanças… Como tudo começou!

Olá pessoal!!!!

Voltando aqui outra vez. Falei no último post sobre as mudanças do blog, que ia escrever … mas estava revisando as matérias para as provas e fiquei sem tempo de atualizar aqui.

Ops… Mudanças? Provas? Bem… antes de falar sobre isso, é melhor começar pelo começo (redundante, eu sei) e vou dividir em posts para não ficar textão 🙂 .

Tudo começou em 2007… havia acabado de me formar em Redes de Computadores e trabalhava como instrutora Linux em uma empresa de treinamentos de Software Livre. Estava feliz lá, mas um acaso fez com que eu pensasse que era hora de seguir em frente e comecei a sonhar em conhecer outros países, para estudar ou trabalhar. Na época eu estava completamente perdida, não sabia ainda exatamente o que eu estava querendo. Pesquisei trabalho e estudo em Portugal, dei uma olhada na Europa, me encantei com a Holanda e também pensei na Inglaterra, ou melhor, Londres, para ser mais exata. Mas ainda não era tempo: não tinha o dinheiro, o tempo e a oportunidade, precisava amadurecer a ideia e isso ia levar um tempo.

Ainda em 2007, troquei de emprego e fui trabalhar em uma startup, ainda sonhando com a possibilidade de estudar e/ou trabalhar fora. Lá, conheci pessoas que já viajavam a muito tempo e ouvindo as histórias sobre viagens e fazendo perguntas, fui tentando entender meu sonho e o que eu queria.

Nessa startup, durante 2007 trabalhei muito, mas foi gratificante. Na parte profissional, aprendi muita coisa nova, aprimorei conhecimento e tive a oportunidade de ministrar um mini workshop sobre integração de ambientes Linux e Windows (Samba) na cidade de Brasília – e também foi a primeira vez que voei! Na parte pessoal, fiz amigos para a vida toda e decidi que era hora de sair de Itaquaquecetuba City para morar mais perto do trabalho para ter a tal “qualidade de vida”.

Um ano passou muito rápido e quando vi, era hora de tirar férias. E assim, em Setembro de 2008, tirei férias e embarquei na minha primeira aventura fora do país – lá fui eu para o Peru, com a cara e a coragem (mais cara do que coragem), sem falar Espanhol e com um Inglês super rudimentar para ver de perto Machu Pichu.

Era uma viagem para fazer a trilha, conhecer a cidade e aprender sobre a cultura do Peru. Como não sabia muito sobre viagens e ia sozinha (não tinha problema ir sozinha, mas não tinha ideia nem como cotar uma passagem haha),  contratei os serviços da Pisa Trekking, que eu já conhecia por ter feito algumas trilhas com eles antes. O pessoal da Pisa foi super atencioso, me deram todo o suporte necessário para a viagem, tiraram todas as dúvidas possívei, prováveis e dúvidas absurdas também.

Com o coração na mão, embarquei no avião em Guarulhos rumo a Lima, onde faria uma conexão para Juliaca e de lá seguir para Puno, minha primeira parada. Completamente inexperiente com essas coisas de viagem (e também meio lesada!), na primeira conexão, perdi a mochila que eu tinha que re-despachar. Rodei o aeroporto inteiro, perguntando onde eu poderia pegar minha mala. Uma hora depois, finalmente alguém me entendeu e me ajudou a encontrar a mochila perdida. Tadinha, tava lá, solitária me aguardando para ser despachada no próximo vôo.

Hora de embarcar chegou, e o vôo tinha outra conexão… eu não havia entendido direito o que o piloto falou e desci no aeroporto errado. Uma pessoa veio correndo atrás de mim e eu correndo da pessoa também, até que descobri que não era para ter desembarcado lá… E a vergonha ao voltar para o lugar? Hoje lembrando do acontecido dou muita risada (como posso ser tão lesada assim, gente?), mas na hora, vendo a cara feia das aeromoças quando pedi desculpas por ter dado uma atrasada na conexão me deixou muito sem graça.

Mas enfim, cheguei em Juliaca e de lá segui para Puno junto com duas brasileiras que também estavam fazendo o passeio pela mesma agência que eu. Aquela apresentação inicial, e elas falando de viagens que já tinham feito, “dos caras” que já tinham conhecido, dos lugares que ja tinham ido… E eu lá, sem muita coisa para falar, até que uma delas perguntou: “Mas você veio pra ca sozinha?”. Respondi que sim e ela em seguida “E você fala inglês ou espanhol?” (acho que perguntou isso porque ela falou em espanhol com o motorista e eu lá, quieta). Falei que não falava inglês direito e não sabia nem o básico de espanhol. Uma olhou pra cara da outra e falou “mas você é louca hein, vir para um país e não sabe nem falar os principais idiomas…”

Gente, confesso que na hora que ouvi isso, dei uma murchada. Fiquei pensando que tinha gasto dinheiro a toa, que não ia aproveitar nada porque não ia saber me comunicar… E se eu perdesse alguma coisa, ou alguma passagem ou, ou… Minha mente se encheu de dúvidas e tive um pouquinho de medo. Mas daí pensei: “já estou muito longe de casa para desistir agora. Saiu na chuva, bora se molhar”.

E apesar de ter um inglês rudimentar e nada de espanhol, gente… não tive problema nenhum. Fui a todos os passeios, conversei com pessoas, saía para jantar fora, tomar café e tirar fotos… E sabem o que é mais engraçado? Eu encontrava as brasileiras nos passeios (não ficamos no mesmo hotel) e elas sempre perguntavam “como você está se virando? está conseguindo fazer alguma coisa depois dos passeios do dia?”. E eu sempre respondia “sim, ontem fui numa praça, achei um restaurante vegetariano, conheci pessoas locais, etc”.

O engraçado é que elas não acreditavam, então eu mostrava as fotos. E eu perguntava “e o que vocês fizeram?”. A resposta era sempre a mesma “pedimos comida do restaurante do hotel”.

Foram 8 dias que encontrei com elas e no fim da viagem, estávamos falando das experiências que tivemos durante a estadia no Peru. Comentei que conheci um casal de peruanos no início da viagem, e, na noite anterior tinha ido jantar com eles; as garotas ficaram abismadas… Disseram “nossa, mas você nem fala espanhol ou inglês e saiu todos os dias e ainda conheceu gente… fizemos basicamente os passeios que a agência vendeu e a noite, sempre ficamos no hotel, não saímos”. Aí foi minha vez de ficar em choque!

Mas enfim, contei essa história porque acho que essa viagem foi o pontapé inicial para começar a delinear o sonho que eu nem sabia direito qual era. Essa não foi uma viagem “minha cara”, ou seja, foi legal, mas não teve meu toque pessoal (por exemplo, escolher as passagens, tentar entender o itinerário, acessar o site dos passeios, etc)… O pessoal da Pisa Trekking foi incrível (e se você gosta de viagens de aventura, recomendo eles) e me ajudaram a começar a entender um pouquinho mais sobre viagens.

E quando voltei ao Brasil, trouxe muitas lembranças, fotos e novos planos! Por exemplo, entre os meus planos estavam: voltar a estudar inglês (consegui me virar, mas tinha que melhorar) e encontrar um outro lugar para morar (naquela época, eu morava em uma pensão, perto do trabalho). E também exatamente no dia que voltei de viagem, surpresa, surpresa…

Eu já era a humana da canina Brida Pimenta, mas no dia da minha volta, minha mãe tentou levar um filhote de foo (foo – apelido carinhoso para cachorros, também abreviação para focinho, e também referência ao pacote foo.tar.gz) que estava doente e coberto de sarna para o petshop para ver se eles ajudavam a cuidar para doar, mas o dono recusou. Ligamos na carrocinha e eles disseram que já que tínhamos recolhido o foo da rua, ele agora era problema nosso. Pra rua ele não ia voltar e assim, em 06/10/2008, a Brida Pimenta ganhou um irmãozinho: me tornei a humana do Sheik Tosado (contei sobre ele aqui).

Nos próximos posts vou continuar contando o que aconteceu depois dessa viagem… Mas o que posso dizer é que essa experiência foi muito importante para as outras viagens que fiz, que estou fazendo e ainda irei fazer.

Uma vez que essa viagem foi para autoconhecimento, reflexões e aprendizado pessoal, não tenho dicas de lugares, restaurantes, passeios e afins. Mas se você quer ideias para uma viagem para o Peru, esse link do Viaje na Viagem é bem legal e inspirador e tem praticamente o mesmo roteiro que fiz em 2008.

Ah, e sobre o casal que comentei que conheci no início da viagem e jantamos juntos antes de eu voltar para o Brasil, mantemos contato até hoje 🙂 !

É isso aí, até o próximo post!

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